sexta-feira, 4 de julho de 2008
Do mar
Não, não consigo. Em verdade, estas rápidas palavras, que com tamanha prontidão descrevem o fenômeno, me são insuficientes. Não é de minha pretensão reproduzir aqui, através da descrição, o ato quotidiano e portanto imperceptível ao coração humano, que com indiferença rebate a indiferença do cego testemunho da existência, espelho de prata de ignorada presença.
Como se me seria possível expressar o horror, ao perturbar a estrutura que ora me sustenta de forma tão débil como tem se mostrado nos últimos tempos, ao me pôr nu, carente de símbolos, contra este espetáculo que manifesta hoje o que ocorre desde antes do início das eras, e que nos faz ajoelhar, humildes, ao promulgar a sentença que nunca poderemos nos desgarrar?
Esse imortal sentimento de mortalidade...
A fúria da vida resistindo-se contra a areia e, como ato final, se dissolvendo nela.
Tudo ser dissolvido em nada, e apenas restar o chiado da serpente que nos atormenta na infinita noite de esparsas estrelas e a leve brisa a nos acariciar o rosto, tranqüilizando a inquietude e perplexidade que preenchem as artérias vazias da consciência. E depois o silêncio e, enfim, aquilo que lhe antecede.
Não. Nada disso poderia, em verdade, expressar o que testemunhei, senão a sentença inicial. Retomemo-la.
"Ouvi o oceano dissolver-se na areia da praia".
terça-feira, 1 de julho de 2008
Pequenos Poderes
Uma letra tem esse poder e você...
qual a sua posição perante o mundo?
Avante amigos, avante!
sábado, 28 de junho de 2008
Chico Portuga
RÁ, SEI TUDO!
A velha lembrança
Afalhardando-se a quisma ótica do ventre em chamas, absorto em vento sem lenço, acuado em linhas curvas de sanada lembrança do destino contido em palavras amenas. A questão disposta, eterna guia de mar, sentidos azuis, promíscuos provérbios bestaneis e saberdosos de nada. Naquela mesma soldada lembrança, soltardes as vias de caminhos entracortados em sumastréis enqüestrados blaustronéis emborcados, astunamassados e jogados fora. Amora estragada se come com garfo, vermelhamassada, alagada de sangue, trocada por mim. Querelacabadas, colunas rachadas, mazelas fumadas, mocambos casais. Embora trocada, a velhamurada, em sombras se casa por certo quinhão. Marfafagalhada, portrupulada, broscuradamente manisfretada, aquela sombra me achou.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
A FANFARRONICE IMPERA MAIS UMA VEZ!!
Bom, vou saindo antes que o 01 me nomeie como xerife...
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Da série Autor Indigente: aforismo #6
terça-feira, 17 de junho de 2008
Teus Olhos no Espelho
René Magritte - Retrato de Edward James
Teus Olhos no Espelho
Por que você existe se não posso sê-la?
Lascivos sonhos perdidos em acordes diurnos
Foi-se embora a concretude onírica
Ficou o desejo real
Ah, se eu me pudesse
Se eu pudesse ser-me
Eu seria tu
Olhar no espelho sempre
E mergulhar em ti
Uma traição bela
Um destino contido, mas sentido
Tua totalidade é proibida
Teus sonhos, incomunicáveis
Ah, se as palavras não fossem barreiras
Ah, se o verbo fosse ação
A emoção projetada
O sentido anômico
Não precisaríamos de dicionários
Ou salas de cinema
Dia dos namorados
Ou tardes de domingo
Seríamos apenas
Seríamos sós
Seríamos apenas nós
Sem verbo, sem nome, sem voz
Mas essa prolixidade temporal
(Quase tempestade)
Venta-me contra o destino
E o sem-fim do desamor
Corrói-me o fígado
Com seus beijos etílicos
E seus coitos sem filhos
Apaguem, apaguem, apaguem
Apaguem essa luz
Que cria tantas sombras
Apaguem tudo, apaguem todos
Deixem-nos sós
Apenas nós
Sem corpos, sem almas
Escuridão calma
Indiferenciação
Um beijo eterno, terno, lerdo
Apressado, sem tempo, lento
Apertado, sem espaço, infinito
Somo-nos
Enfim um fim
Universalmente abraçados
Singularidade
Teus olhos no espelho
Corporalmente desalmados
Espiritualmente descarnados
Não há eu ou você
Não somos sem sermo-nos
26/05/07